A realização de uma instalação de esportes bem sucedida compreende três fases que são o planejamento, o projeto e a construção. Esta é uma regra que se aplica não só para instalações esportivas como também para quaisquer outros empreendimentos, seja uma indústria de artigos esportivos, uma fábrica de produtos químicos, ou a instalação de uma usina termoelétrica.
Lamentavelmente, em nosso país a construção de praças de esportes, ginásios, piscinas, centros de recreação e lazer, etc. raras vezes atendem ao importante e fundamental quesito que é o planejamento. O que se observa normalmente é a escolha de um arquiteto ou firma de arquitetura cuja missão é a de projetar a instalação com base apenas no que foi solicitado e idealizado pelo cliente. Dependendo de sua experiência e competência, o arquiteto poderá propor ótimas idéias, porem com alta probabilidade de não atingir boa parte das demandas técnicas e funcionais para as quais a instalação está sendo projetada.

Ocorre que uma instalação destinada a esportes ou recreação é de característica essencialmente multidisciplinar, exigindo em seu planejamento o concurso de diversos especialistas e grupos interessados conforme se observa no diagrama do Comitê de Planejamento apresentado a seguir. Da discussão e consenso entre esses especialistas, um relatório é então preparado e encaminhado ao arquiteto ou firma de arquitetura designada para desenvolver o projeto. Dessa forma, erros e inadequações funcionais serão reduzidos a um mínimo, assegurando o amplo sucesso do empreendimento.

Seleção de Profissionais

É responsabilidade do comitê de planejamento do projeto, após haver completado o relatório do projeto de construção, selecionar um consultor em instalações, um arquiteto projetista e possivelmente engenheiros. Essa é uma responsabilidade extremamente importante para o comitê. Por essa razão, deve ser utilizado um judicioso processo de seleção para cada um desses especialistas. Antes de iniciar sua tarefa, o comitê deve primeiramente definir que tipos de profissionais serão necessários para completar o projeto e então decidir sobre os métodos de contratação que serão empregados no processo de seleção. Por exemplo, muitas firmas de arquitetura possuem seus próprios departamentos de engenharia ou ainda um relacionamento de trabalho com uma terceira firma. Assim sendo, poderá ser conveniente permitir que a firma selecione seus próprios engenheiros para facilitar compatibilidade maior no trabalho. Contratar um consultor em instalações para o projeto é uma alternativa que o comitê de planejamento poderá considerar. A decisão será baseada na disponibilidade de fundos para essa finalidade.


A seguir, a descrição de algumas funções fundamentais.

Especialistas em Programas

O papel dos especialistas em programas no planejamento de instalações é muito importante. Especialistas em programas são normalmente indivíduos ativamente engajados em programas para as quais a instalação está sendo planejada. Por essa razão esses especialistas são usualmente pessoas-chave que compõem o grupo primordial de usuários da instalação. Tais especialistas devem estar profundamente a par das necessidades de seus programas de atividades bem como de certas áreas problemáticas e que necessitam mais atenção. O envolvimento desses profissionais aumenta a probabilidade de que o Comitê de Planejamento do Projeto seja preciso e realista no desenvolvimento de seu relatório de programas. Exemplos do tipo de contribuição que o especialista em programas pode oferecer são:



  • Determinar o número de atividades ou estações de ensino necessárias para atender instrução e treinamento esportivo, atividades esportivas, recreação, organização de clubes esportivos e programas adaptativos,
  • Assistir na seleção de materiais (por exemplo, madeira-de-lei e/ou piso sintético, tipos de luminárias, tratamento acústico e manutenção),
  • Informar às pessoas devidas e ao público em geral sobre os propósitos dos programas e as necessidades da instalação,
  • Certificar-se do número de times, classes e grupos que estarão usando a instalação e conhecer as necessidades e implicações de suas atividades no planejamento. Assessorar o comitê de planejamento sobre tendências que devem ser consideradas no desenvolvimento do relatório de programas (p. ex., novidades em superfícies artificiais, pistas mais resistentes a intempéries, salas de treinamento misto para estudantes, programas para deficientes, uso total da instalação para a comunidade e perspectiva de desenvolvimento de clubes esportivos),
  • Identificar modelos de tráfego desejáveis ou problemáticos para pessoas e grupos, inclusive espectadores,
  • Apresentar ao arquiteto e ao Comitê de Planejamento do Projeto exemplos de instalações que atingem os objetivos desejados. Se os locais são demasiado distantes para visitas, slides e ilustrações podem ser apresentados ao arquiteto e ao Comitê de Planejamento,
  • Indicar áreas que representam qualidade bem como aquelas que apresentam padrões quantitativos mínimos,
  • Apresentar considerações que permitam amplo uso da instalação por portadores de necessidades especiais.

Os especialistas em programas podem ser assessorados por consultores em instalações na identificação de materiais específicos, dimensões, relacionamento entre espaços, inovações e outras informações pertinentes.


Consultor em Instalações

O consultor em instalações é um profissional empregado em uma empresa ou um autônomo no negócio de consultoria em instalações. Essa pessoa geralmente tem larga experiência em planejamento de instalações e está familiarizada com as instalações recentemente construídas no país. Ele deve estar atualizado em relação às últimas novidades em materiais de construção, equipamentos esportivos, conceitos construtivos e programas de atividades de um modo geral. Esse profissional deverá conhecer a localização de algumas obras de restauração recente ou novos projetos de construção, constituindo-se em importante recurso para o Comitê de Planejamento quando da seleção e contratação de um arquiteto. O consultor em instalações assessora o Comitê de Planejamento na situação ex-oficio, desenvolvendo alternativas e estabelecendo prioridades para o projeto de construção. Como especialista objetivo, o consultor é visto normalmente como uma pessoa que pode exercer considerável influência sobre os membros do comitê de planejamento, incluindo o arquiteto do projeto. Da mesma forma, o consultor em instalações pode ser muito útil na função de membro ex-oficio do comitê de planejamento, devido à sua objetividade em planejar espaços específicos que podem não ser familiares ao arquiteto ou aos especialistas em programas. Este papel torna-se ainda mais significativo quando o arquiteto contratado para o projeto carece de orientação básica em relação aos programas específicos para os quais a instalação foi planejada. Embora seja sempre melhor contratar um arquiteto que possua experiência suficiente, há situações em que isso não ocorre. Nessa ocasião, as contribuições do consultor tornam-se cruciais para o sucesso do projeto.

As considerações básicas na seleção de um consultor em instalações incluem as seguintes:

  • Sólida formação educacional,
  • Experiência profissional,
  • Experiência em planejamento,
  • Proximidade do projeto,
  • Reputação,
  • Habilidade em trabalhar com o Comitê de Planejamento do Projeto, com arquitetos, engenheiros e empreiteiros,
  • Capacidade de ler e entender plantas e especificações,
  • Habilidade em entender programas de atividades e as futuras necessidades desses programas.


Arquiteto

Um dos membros centrais do comitê de planejamento do projeto é o arquiteto. Como seu papel é de suma importância, tempo considerável deve ser despendido em investigar firmas ou indivíduos interessados no projeto. Na seleção de um profissional, a reputação da firma deve ser considerada. É desejável que o arquiteto seja capaz de fornecer exemplos de trabalhos concluídos em projetos similares ao proposto. É importante possuir habilidades interpessoais e boa capacidade de integração com membros do Comitê de Planejamento, consultores e outras pessoas envolvidas no planejamento e na construção da instalação. Um aspecto não menos importante na seleção do arquiteto é a localização de sua firma. Há evidente vantagem em selecionar uma firma que esteja localizada próxima ao local do projeto proposto. Alem das óbvias razões políticas, a proximidade do local da construção permite visitas freqüentes, indispensáveis na total supervisão da obra e prevenção de erros construtivos. Sendo a supervisão do projeto parte integrante das funções do arquiteto, é condição altamente desejável a seleção de um indivíduo com grande habilidade em gerenciamento de projetos.

De forma ideal, o Comitê de Planejamento deve participar na seleção do arquiteto. O comitê deve desenvolver uma lista de firmas candidatas que possuam experiência no desenvolvimento de instalações similares em sua área geográfica.

Após selecionar uma firma de arquitetura, um acordo contratual deve ser assinado antes de prosseguir no estágio seguinte do processo de construção Um contrato legalmente preparado entre a firma de arquitetura e o cliente deve seguir a forma padrão. O contrato deve descrever toda as responsabilidade do arquiteto, as quais são numerosas e vitais. Essas responsabilidades tipicamente incluem, mas não estão limitadas a:

Fase de pré-planejamento no qual o arquiteto:

  • Solicita de todos os grupos de usuários as necessidades da instalação e equipamentos,
  • Desenvolve um cronograma para cada estágio do projeto,
  • Transforma o documento do programa em um programa de arquitetura ou de construção.


Plano esquemático, no qual o arquiteto:

  • Traduz o programa escrito em representação gráfica de um plano de construção,
  • Desenvolve e apresenta estudos, considerando o relacionamento entre os espaços das várias funções, bem como a acessibilidade da instalação,
  • Demonstra como a instalação satisfará as necessidades na forma como foi definida na reunião de pré-projeto,
  • Estuda o terreno, sua topografia, seu relacionamento com a comunidade e com os modelos de tráfego e disponibilidade de utilidades (água, esgoto, energia elétrica, gás),
  • Define como a área deve ser desenvolvida,
  • Revê códigos e leis aplicáveis, a fim de determinar seus efeitos no projeto.


Desenvolvimento do projeto, no qual o arquiteto:

  • Desenvolve o plano geral da instalação, uma vez assegurada a aprovação da mais alta autoridade,
  • Prepara desenhos das elevações e modelos a fim de estabelecer as características visuais do projeto,
  • Define os materiais de construção, descrevendo suas especificações, valor utilitário e qualidades estéticas.


Licitação, no qual o arquiteto:

  • Assiste e lista as empresas nacionais, engenheiros e consultores especializados em instalações de esportes e recreação, obtendo propostas e aprovando contratos,
  • Determina com o cliente como o projeto será licitado e quais os empreiteiros qualificados para a licitação,
  • Responde aos questionamentos dos licitantes e esclarece quaisquer aspectos relacionados às especificações,
  • Fornece cópias de especificações, documentos e plantas para os empreiteiros, proprietários e a todos os que deles necessitem.


Supervisão da construção, no qual o arquiteto:

  • Reúne-se com o cliente e o empreiteiro para definir o projeto e discutir os procedimentos operacionais,
  • Emite boletins e modifica ordens para atender mudanças solicitadas pelo cliente ou exigidas pelas condições da área,
  • Aprova pagamentos aos empreiteiros.


Outros Profissionais

Outros profissionais que estarão trabalhando no projeto incluem engenheiros civis, estruturais, mecânicos, elétricos e acústicos; designers de interiores, arquitetos paisagistas, bem como técnicos nas áreas de eletricidade e mecânica. Esses profissionais podem ser selecionados pelo Comitê de Planejamento ou a responsabilidade delegada ao arquiteto do projeto.